Capacidade de se sentir indignado.

Capacidade de se sentir indignado.

28/08/2017

Vamos falar hoje sobre capacidade de se sentir indignado.
Como existem Analistas alheios ao que ocorre com a carreira de Analista Judiciário!

O(a) candidato(a), já depois de formado na faculdade, onde passou anos de estudo e sacrifício, investindo na sua carreira e no seu currículo profissional, com sacrifício até da família (pois tem que se dedicar aos estudos) se inscreve num concurso de nível superior, para o cargo de Analista Judiciário.

Estuda pra caramba, até que consegue, por uma ironia do destino, por um momento de iluminação, se sair bem dentre milhares
Assim, passa entre milhares de concorrentes, num concurso difícil, com dificuldade de nível superior, se classificando bem.
Daí, após uma angustiante espera, é nomeado(a) e empossado(a) como Analista Judiciário.

Aí fica com aquela expectativa de chegar no Judiciário e ser aquele ser pensante que vai encontrar soluções geniais para diversos problemas da humanidade.

Abaixo do Juiz é o Analista: é o que dizem todos os concurseiros, a Lei e os Editais dos concursos.

Aí chega lá e a primeira coisa que ouve do seu novo chefe é que “não existe essa coisa de Analista Judiciário”… “aqui todo mundo é igual”…Ou seja, o(a) sujeito(a) vai ter um(a) chefe(a) que:

a) sabe menos que ele(ela);

b) passou num concurso mais fácil que o dele(dela);

c) ganha uma CJ, a mais, que é mais do que o salário dele (dela); enfim, ganha praticamente o dobro, ou mais;

d) provavelmente vai tirar dúvidas de natureza técnica com aquele mesmo Analistazinho recém empossado…

d) e ainda vai AVALIAR a qualidade TÉCNICA, isto é, a correção e aptidão técnica do(a) Analista Judiciário, para desempenhar a função, mesmo sendo ocupante de um cargo de nível de conhecimento técnico e atribuições inferiores.

E, como se não bastasse tudo isso:

a) o Tribunal nem tem um curso de formação de Analista Judiciário; o que o Analista vai aprender em relação aos sistemas operacionais do trabalho vai ser considerado como um “favor” que “alguma alma muito benevolente vai ter a piedade de passar pra ele”

b) os melhores cursos já são voltados para quem já ocupa as funções dos Analistas (os apaniguados/apadrinhados/parentes dos juízes/indicados pelos Juízes), independentemente de ser Analista ou não;

c) tem até magistrado (!) ou um grupo de magistrados que diz que “na prática, todo mundo é igual e faz a mesma coisa” (com exclusão dos magistrados, óbvio, que são “diferentes”), e aí inventam de vincular processos a servidores, para que “todo mundo faça tudo do processo”, “cada um com sua cota” (olha “qui-lindu-issu”), de modo que o(a) Analista acaba fazendo serviços “de suporte administrativo”, isto é, que seriam da alçada de técnicos e/ou de auxiliares judiciários, e que não deveriam ser a ele repassados, enquanto que os grandes cérebros pensantes não Analistas estão nos postos de hierarquia e conhecimento técnico mais acima;

d) você não tem sequer expectativa de um dia vir a ser promovido;

e) os sindicatos começam a falar que os técnicos precisam “virar carreira de nível superior”, como se isso não fosse afetar a carreira de Analista Judiciário… e como se os Analistas Judiciários estivessem de acordo com isso, enfim..

A situação fática que vivenciamos é essa. Como é que um Analista Judiciário, uma pessoa de nível superior, consciente dos seus direitos, ativa política, social e economicamente, um cidadão do mundo e da sociedade consegue engolir, calado, tanto desaforo e tanto sapo dia-a-dia, por anos a fio!?

Cadê? Aonde foi que esse (essa) Analista guardou ou escondeu a capacidade de se sentir indignado dele(a)!? De se revoltar!? De ficar revoltado!? A capacidade de fazer alguma coisa pra mudar!? Pra transformar a realidade em sua volta em seu favor!? Aonde!? Pergunto eu..

Precisamos agir…

Precisamos nos unir.

E devemos manter a nossa capacidade de se sentir indignado e de se revoltar contra esses absurdos.

Precisamos trazer mais Analistas para o nosso movimento de resistência…

A mudança não virá de graça..

O primeiro passo é a conscientização da classe, de que somos uma coletividade, com problemas comuns e que partilhamos dos mesmos anseios e aspirações..

Vamos à luta!
Zenóbio Araújo.

Analista Judiciário

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